Exposições
05 de setembro, 2008
Ouve-se com frequência aos que moram ou passam pelo Bairro Alto queixas sobre os graffiti (tomam esta parte pelo todo a que do outro lado se chama street art). Que sujam o bairro e lhe dão um ar degradado, que são feios, que destroem a propriedade alheia, etc. A mim pessoalmente o que incomoda mesmo é a sujidade produzida pelos cães, pelas pombas e pelos muitos autóctones que não sabem operar um contentor do lixo. Quanto aos graffiti, tudo depende. Consoante a atenção e a intenção, mesmo os tags, entendidos como gatafunhos absurdos pelo comum dos mortais (eu incluída), podem merecer um olhar mais atento. Acima deles, gosto da maior parte e de viver numa espécie de hall of fame do stencil na cidade. Que há mais gente com a mesma opinião pode comprovar-se com uma visita ao Museu Efémero. Trata-se de uma iniciativa (apoiada pela Fundación Pampero) que propõe um itinerário pelo Bairro Alto (com legendas junto às obras e audio-guia disponível no site para download gratuito) para ver obras de vários artistas nacionais e de outros países. Enquanto lá estiverem.
As misteriosas portas azul Yves Klein, de autor desconhecido mas já com seguidores noutros tons, não fazem ainda parte da colecção. A Catarina Portas e a Inês já escreveram sobre elas e são, de facto, tão lindas quanto eloquentes.
De há mais de dez anos, o meu preferido: Nemo (e mais Nemo).
25 de agosto, 2008
A outra exposição em Serralves também merece uma visita (sendo-se ou não fã incondicional do cinema de Oliveira). A E. não descolou dos excertos do Aniki Bobo (temos de o ver em família em breve), eu chorei como sempre com os d'O Acto da Primavera e todos nos rimos na cena do burro a pôr gasolina.
A propósito do comentário da Marta ao post de ontem, o nosso segredo para ver tantas exposições com elas é mais ou menos isto: um adulto extra para ajudar, um sling para carregar a A. quando ela começa a ficar cansada e, sobretudo, bastante descontracção em relação ao assunto: às vezes vê-se melhor e outras menos bem, às vezes não se chega ao fim mas sempre se viu alguma coisa, vê o pai e depois a mãe ou vice-versa, numas é possível interessá-las pelo que estão a ver e noutras nem há que tentar e o importante é que nos deixem ver a nós sem se aborrecerem demasiado.
A despropósito, o destaque d'A Ervilha Cor de Rosa no site Escape e a entrevista mais interessante que dei até hoje no novo blog do Frederico Duarte.
24 de agosto, 2008

À ida para cima, paragem obrigatória no Porto para ver em Serralves a exposição de David Goldblatt.
03 de agosto, 2008
Antologia Experimental de José M. Rodrigues, em Évora.
29 de junho, 2008
Na Gulbenkian tiveram a boa ideia de voltar a cobrir os caminhos de toldos para o Verão. No ano passado eram de tecidos tradicionais e desta vez são telas estampadas com trabalhos de vários artistas, integrados no programa Distância e Proximidade (aqui há fotografias da execução e montagem). Os toldos tornam o jardim ainda mais apetecível para umas horas de passeio. Simpático foi também perceber que com as sobras dos do ano passado (ou os toldos propriamente ditos?) fizeram umas belíssimas almofadas para as cadeiras do anfiteatro.
...e o Random Integer Generator escolheu dar o BAGGU à Célia Alves. Obrigada a todos pelo entusiasmo e pelos comentários inspirados!
23 de junho, 2008
Ainda não foi este ano que me lembrei do Mercadinho do Solstício do CCB a tempo de participarmos, mas pelo menos calhou passarmos por lá. A E. recebeu um euro (valor máximo de qualquer um dos objectos à venda) e comprou um livro a uma menina que fazia as contas com a ajuda da mãe numa máquina registadora de plástico.
No andar de baixo, a não perder, a exposição Utopia.
22 de junho, 2008


Há muito, muito tempo, noutro continente, o Jorge mostrou-me o trabalho do Brian Cronin. Disse-me que era um dos melhores e eu acreditei, claro. Também acho que é. Ainda mais agora, depois de ver a exposição que abriu ontem na Casa da Cerca., em Almada.
Rever de uma vez só a gente toda do Ar.Co, ilustres ilustradores, e ser apresentada ao (super simpático) Brian Cronin pela Alice deu-me um choque de saudades de desenhar, do lápis e do cigarro na mão, de outra vida.
Mas também gosto desta.
... e ainda tive a sorte de conhecer em pessoa a Yara (que é parecida com os desenhos que faz).
22 de abril, 2008

Fotografadas por Joshua Benoliel. No Arquivo Fotográfico da CML.
19 de abril, 2008


Sou suspeita mas recomendo: Júlio Pomar e a experiência neo-realista, no Museu do Neo-Realismo de Vila Franca de Xira (a 20m de combóio e mais dois a pé de Lisboa).
06 de abril, 2008
No Museu do Chiado. A ver com bebés e a ouvir os contemporâneos Soothing Sound for Babies para uma experiência verdadeiramente sinestésica.
PS: nas fotografias, a peça pénétrable bbl nº 0/8 de Jesús Soto.
13 de janeiro, 2008


Crude, de Pedro Valdez Cardoso. Acaba hoje.
04 de janeiro, 2008

Está quase a fechar, mas ainda há um fim-de-semana para ver O Tapete Oriental em Portugal no Museu de Arte Antiga. A exposição, comissariada por Jessica Hallett e Teresa Pacheco Pereira, é belíssima e tem sido justamente elogiada. Gostava de partilhar algumas fotografias do interior, porque a montagem valoriza ainda mais o trabalho de pesquisa por detrás do projecto mas, ao contrário do que acontecia há uns meses, agora (felizmente) as salas são bem guardadas pelos vigilantes do museu. A forma como os tapetes estão expostos, junto aos quadros, nalguns casos sobrepostos ou a cobrir estrados semelhantes aos das pinturas, cria como que uma sucessão de pequenas cenografias que nos transportam no tempo e para dentro das imagens.
21 de outubro, 2007


O convite para a inauguração tinha-me despertado a curiosidade e o post da Ana confirmou que era uma exposição a não perder, mas a visita superou as expectativas. A artista Louise-Marie Cumont (n. 1957) cria livros, mantas e outros objectos recorrendo quase exclusivamente a uma técnica tradicional de patchwork que consiste em criar blocks (quadrados) figurativos através da justaposição de quadrados, triângulos e rectângulos de pano. O padrão deste tipo mais conhecido é provavelmente o schoolhouse mas há muitos outros, que aparecem geralmente nos sampler quilts americanos desde os finais do século XIX.
As limitações da técnica são habilmente exploradas pela artista, que constroi séries a partir de objectos facilmente redutíveis a formas simples: a cadeira, a cama, o carro, a casa. Na exposição podem ver-se alguns dos livros e mantas produzidos por Louise Marie-Cumont em séries limitadas (alguns deram origem a versões impressas em papel) e há uma manta-brinquedo-gigante para mexer que torna ainda mais óbvia a qualidade técnica das peças e o cuidado na escolha dos materiais.
Mais sobre o mesmo:
Imagens da exposição e do workshop que teve lugar em Setembro.
Para quem quiser treinar a técnica, um livro japonês com alguns padrões (imagens aqui e aqui).
Os livros de pano da Rita e casas de retalhos.
Ema: Lindas ilustrações em tecido e a minha única incursão no género até à data.
30 de setembro, 2007


Taça Attitude, de Alda Tomás (Portugal) e porta lápis, Tramando S. A. (Argentina)
Fomos ver a exposição Remade in Portugal, na Estufa fria. Trata-se de um projecto originalmente italiano, com o objectivo de incentivar as empresas ao desenvolvimento de produtos realizados com material reciclado, que apresentem um desenho original e qualidade de produção. Estão expostos os resultados das edições estrangeiras da iniciativa e as peças concebidas pelos vários criadores portugueses convidados. Pode-se mexer, sentar, experimentar e ler nas legendas do que é feita cada uma. Pela composição inesperada, destacam-se as taças de Alda Tomás (ainda por cima muito bonitas), 50% feitas de lamas de uma ETAR mas, em geral, a representação portuguesa não fica em nada atrás das anteriores.
Creio que seria igualmente interessante, numa iniciativa do género, mostrar como (ainda que por razões diferentes - de economia e necessidade, e não de consciência cívica/ecológica) o reaproveitamento e mesmo a reciclagem são práticas de sempre e não uma novidade. Na produção têxtil, que conheço um bocadinho melhor, os exemplos são múltiplos e óbvios: dos tapetes de trapo às mantas de retalhos, passando pelos chinelos de ourelos, bolas para brincar, etc. Isto para não falar nos usos (em desuso?) dos desperdícios da indústria no dia-a-dia: aqueles emaranhados de fios a que nas garagens se limpa(va) as mãos, o baetão cinzento que agora não se encontra. E por falar em baetão, na exposição há uma secção muito interessante dedicada a uma base de dados de eco-design italiana, a matrec. Um dos materiais em exibição chama-se pannotex e é primo direito do nosso baetão de desperdício. Aliás, quase que aposto que daria uns bons quilts...
Ainda a propósito, um link há meses em carteira: Alentejo Bowls de Daniel Michalik.
28 de agosto, 2007

Ao contrário do que aconteceu na dos panos, que não a interessou muito, na exposição Pinturas Cantadas - arte e performance das mulheres de Naya a E. (cuja curiosidade fora despertada pelo lindo cartaz recebido do avô) esteve tão entretida e atenta como nós. É de facto uma exposição invulgarmente interessante, e as peças expostas pedem uma visita demorada (ou várias). Para além disso, é um excelente programa para crianças: as peças estão à altura certa e bem protegidas, auscultadores em alguns panos permitem ouvir as suas histórias e o documentário (que vale a pena ver inteiro) retrata a vida das mulheres pintoras e o meio em que vivem de forma atraente até para uma menina de quatro anos e meio (vê-se com pormenor o fabrico caseiro das tintas, as etapas da pintura e as tarefas da vida quotidiana, no fundo tão semelhantes às nossas mas tão diferentes).
12 de agosto, 2007


Uma das exposições patentes no Museu de Etnologia (a Mary também viu) apresenta (a propósito do trabalho de uma artista plástica contemporânea) lindíssimos panos tradicionais de Cabo Verde e Guiné Bissau. São compostos por várias faixas estreitas tecidas em tear manual cosidas umas às outras. Parecem já ter deixado de fazer parte (ou quase) da maneira de vestir do nosso tempo, tendo provavelmente sido gradualmente substituídos a partir do século XIX (como na Europa), por tecidos decorados por estampagem (muito mais baratos e em boa parte importados). A tradição no entanto subsiste (pelo menos em parte) graças ao folclore e à procura global(izada) do que é étnico. On-line, encontra-se a Artissal (uma associação de Tecelagem tradicional que produz artigos artesanais de qualidade e promove um projecto de desenvolvimento comunitário na Guiné-Bissau) e uma página norueguesa - The Capeverdean pano - a unique handicraft - com o contacto de Henrique Sanchies, tecelão caboverdeano.
A exposição inclui ainda um conjunto de capulanas da colecção do MNE, recolhidas nos anos 90 na Guiné. A legenda chama-lhes panos legós, designação (local?) que o Google desconhece.
22 de julho, 2007

Na agenda estão os panos pintados no Museu de Etnologia e o projecto Grão no do Azulejo, mas hoje regressámos à Gulbenkian.
21 de julho, 2007
Estreámo-nos hoje no Museu Berardo numa visita de reconhecimento, a primeira das muitas que pede a extensão do percurso. Estava muita gente, uns a passear outros a ver, e como passeio de família (com o CCB do lado de fora) é uma aposta ganha. Independentemente do que se possa dizer de toda a história do museu e dos seus protagonistas, para tantos de nós (e, mais importante, para os que agora crescem e estudam) passou a ser possível ver ao vivo muito do que na história da arte recente só se conhecia dos livros e do google. E isto não é dizer pouco.
07 de julho, 2007


Fomos ver os 50 anos de arte portuguesa. A opção de partir dos dossiers e relatórios dos bolseiros que a Fundação apoiou, expondo-os cuidadosamente e sem distinguir entre os que o futuro consagrou (emocionantes, os álbuns de recortes e apontamentos de Paula Rego) e os outros, é muito interessante (e feminina também, parece-me). Porque já escrevi sobre ambas noutros posts não podia deixar de salientar a secção dedicada a Fátima Vaz e Helena Lapas que, nos anos 70, levaram a cabo um trabalho de recolha e estudo do patchwork em Portugal. Como diz o pedido de apoio que apresentaram à FCG:
...há vários anos dedicam uma parte do seu tempo à recuperação, procura e criação de trabalhos em patchwork (...). Embora ambas sejam artistas profissionais nos campos da pintura e tapeçaria, procuram complementar o seu trabalho de atelier com a pesquisa de fontes ditas populares. Trabalhos portugueses no campo do patchwork merecem um lugar no Victoria and Albert Museum em Londres, embora por razões várias este género de trabalho, feito em casa em condições muitas vezes precárias, encontra-se (...) quase completamente perdido no nosso país.
Fiquei com vontade de ler estes relatórios de fio a pavio (talvez um dia seja possível). A E. preferiu o vídeo do João Onofre, no andar de baixo.
Mais sobre a exposição aqui e aqui.
17 de junho, 2007

Por pouco perdia esta magnífica exposição no MNAA. Visitar assim a Idade Média é sempre um duplo mergulho no passado, na tese por escrever, nos meus mortos.
No Flickr quase não se encontram imagens da exposição, com excepção deste óptimo conjunto dedicado à montagem(?). Se calhar não se podia tirar fotografias. Eu tirei só uma (sem flash, claro) e ninguém me disse nada mas, estranhamente, também ninguém disse nada ao senhor que entrou com um enorme guarda-chuva debaixo do braço ou à senhora cujas filhas mexiam descontraidamente nas peças expostas...
03 de junho, 2007


Fomos finalmente percorrer O Jardim do Mundo. Não participámos (desta vez) em nenhuma das actividades, mas deliciámo-nos (e não fomos os únicos) à sombra dos mais lindos toldos de que há memória. Os desenhos e cores dos padrões africanos a brilhar ao sol fizeram-me ficar ainda mais contente com os que escolhi para os próximos slings (brisa, mãe galinha e voar).
26 de maio, 2007


do Chiado. Sobre a exposição.
20 de maio, 2007


Calhou ser durante as comemorações do Dia Internacional dos Museus que regressei ao Museu do Traje, provavelmente mais de dez anos(!) depois da última visita (que deve ter acontecido quando, em 1994, Lisboa foi capital europeia da cultura e eu consumi a maior concentração de exposições, espectáculos e filmes da minha vida). Há quanto tempo estará o museu assim, descuidado, mal iluminado e desinteressante? Em criança era um dos meus preferidos, até porque tinha (e tem) o extra do magnífico jardim. Agora não entusiasma nem uma menina de quatro anos que passa o dia a sonhar com vestidos até aos pés. Fecharam as salas dedicadas aos trajes populares e nas outras os manequins à média-luz fazem mais medo que outra coisa. Os teares estão tomados pelas tapeçarias de mau gosto em que durante a semana uns formandos trabalham e marcados por papelinhos escritos por eles a marcador: não mexer. Aos imprestáveis lavabos chega-se por entre placards abandonados há décadas e cobertos pelo pó. Mesmo a bilheteira/loja - por onde passa a maior parte dos visitantes (que vai ao jardim, não ao museu) - é escura, atravancada e nada apetecível. Aí pelos finais da adolescência, quando lia romances góticos, desfrutava dos museus decadentes de outra maneira. Agora tenho só pena.
05 de maio, 2007

Faz também, é tão fácil!, disse hoje a Maria Keil à E. durante a inauguração da exposição na Ilustrarte. No sorriso dela até parecia.
02 de maio, 2007

É uma grande exposição de fotografia, de história e de história da fotografia e pode ser vista pelo menos uma vez sob cada uma destas perspectivas. Quem não conhecer o nome do professor Jorge Calado (académico, comissário, crítico), não saberá que é chancela de qualidade e perfeccionismo extremos que aqui se vêem na selecção de obras e provas, na montagem e iluminação, nos jogos estabelecidos entre imagens ou nos ruídos e objectos que as acompanham. Ainda há quatro dias para apreciar este trabalho magnífico e três visitas guiadas pelo próprio comissário (amanhã às 13.00h, sexta às 13.15h e Domingo às 16.00h).
Mais sobre a exposição: 1, 2 e 3.
01 de dezembro, 2005

Apesar da chuva fomos Zurzir o Gigante. O espaço (da Interpress) não é de todo toddler-proofed, mas no andar de baixo deu para estar mais ou menos descansada e para reservar um dos lindos desenhos da Joanna Latka.
20 de abril, 2005

Nas inaugurações vê-se sempre muito mais as pessoas do que as peças expostas. Ontem, a inauguração da exposição do Xana não foi excepção, mas a E. não se atrapalhou nada (nem esbarrou com nenhum dos alguidares cheios de água que compõem uma das instalações) e percorreu vezes sem conta os corredores de pinturas digitais em total delírio. É uma poética de felicidade como objectivo da arte (como diz o texto de apresentação) e também é um excelente programa para meninos pequenos.
30 de maio, 2004


Cestos africanos de cheirar e mexer e coisas amazónicas no Museu de Etnologia, seguidos de marionetas no CCB.
07 de junho, 2003

duas exposições da lisboaphoto: joel sternfeld na cordoaria e luís pavão no oceanário.
constatação técnica: no meu mac a border cor de rosa das imagens é visivel no safari (1.0 beta 2) e invisível no internet explorer (5.2) e camino (0.7).
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