Da escolinha
21 de abril, 2004


- foi quando os escravos...
- foi quando... acabou... a diplomacia!
(os pequeninos usaram unanimente as palavras guerra e rosas).
o único salazar que conheciam era a personagem do harry potter.
depois conversei com eles e desenhámos. vão passar uma semana a olhar para aquelas imagens e a comentá-las, como fazem sempre. do que se lembrarão na próxima quarta-feira?
24 de março, 2004


19 de março, 2004
ontem na aula o desafio proposto foi o esperado: desenhar um pai (o seu, um ideal ou o pai que cada um deles quer vir a ser).
o v. desenhou um pai sem mãos e o b. usou-me como modelo para desenhar o dele (sonhando um pai a brincar com o filho). o j. queixou-se que o dele parecia uma mãe (e parecia mesmo, todos achámos). acrescentou-lhe um bigode e mudou-lhe o cabelo, mas sem grande resultado. tenho mais jeito para desenhar mães que pais, disse, antes de reagir com humor: quando for dia da mãe já não vou ter trabalho nenhum: copio este!.
18 de março, 2004

10 de março, 2004

cobre de beijos um boneco feioso que estava no chão da escolinha.
(em casa só entram brinquedos escolhidos a dedo. mesmo que isso implique perder vários que lhe foram oferecidos. o poder de o fazer vai durar tempo de menos para que não tire dele o máximo partido)
11 de fevereiro, 2004
v., 9 anos, achava que uma pessoa nasce de raça negra porque na barriga da sua mãe havia uma bisnaga com tinta preta. perante o meu espanto horrorizado, explicou-me que era o que a mãe lhe tinha dito. contradisse esta mãe sem nenhum problema de consciência e forneci uma explicação alternativa, correcta e mais lógica. pergunto-me a qual das duas reconhecerá v. autoridade.
04 de fevereiro, 2004



...e os grandes alunos de desenho.
28 de janeiro, 2004

para preparar a reunião de pais de logo à tarde, peço aos meninos que desenhem um aspecto positivo (gosto muito) e um negativo ou em falta (gostava que...) da escola. como aspecto positivo, o a. desenhou-se na aula de desenho da semana passada.
25 de janeiro, 2004


na escolinha os chapéus dos meninos estão guardados numa velha caixa de bolos da confeitaria nacional. sempre que a vejo regresso instantaneamente a uma qualquer das muitas tardes que lá passei contigo.
21 de janeiro, 2004


na próxima semana levo-lhes um catálogo do morandi.
17 de dezembro, 2003



10 de dezembro, 2003


eu estava com medo da confusão mas eles, depois da surpresa de encontrarem as mesas cheia de "lixo", adoraram observá-lo e desenhá-lo.
19 de novembro, 2003

12 de novembro, 2003


quando estava a acabar o desenho (que eu elogiei), o b. perguntou: posso pôr aqui um bom? não percebi. o que é um bom? um bom professora, posso fazer um bom? acreditando que um bom não podia ser nada de mau, consenti. o b. escreveu no desenho: bom. ou seja, auto-avaliou-se.
05 de novembro, 2003



queria ter ido ao concerto dos blur. mas não faz mal.
hoje os meninos desenharam máquinas de transformar coisas más em coisas boas. antes de chegar receei que os mais pequenos torcessem o nariz à ideia (e fizeram-no durante uns 10 segundos). ooooh. uma máquina? o quê, uma impressora? uma máquina de lavar? uma máquina inventada. imaginada. aos poucos surgiram botões e alavancas, tomadas, fios e antenas, fogo transformado em água, homens maus que ficaram bons (representados com cores boas e cores más), braços partidos e depois curados, etc. curiosamente, alguns garantiram - enquanto à vez descreviam o funcionamento das respectivas obras - que as mesmas também funcionam para o efeito inverso.
no tempo que sobrou, o b. desenhou-me a empurrar a e. na cadeirinha.
31 de outubro, 2003


23 de outubro, 2003
a professora d. ensina os meninos a ler como eu dou a papa à elvira. não sei explicar mas é mesmo assim, parece que lhes dá as letras à boca, devagarinho, e que elas são mornas e doces.
20 de outubro, 2003

15 de outubro, 2003


mas ele insistiu que lhe tirasse uma fotografia ao pé do quadro.
25 de setembro, 2003

18 de junho, 2003
hoje estive numa escola primária que tem 20 alunos, uma professora e uma auxiliar, imagens dos pastorinhos de fátima por todo o lado(!) e figurinhas autocolantes a decorar paredes e armários iguais às de quando eu tinha 6 anos. os meninos receberam-nos aos pulos, a bombardear-me com perguntas e a encher a elvira de festinhas. a dona d., que lhes dá aulas, levou-me para a sala de aula, sentou-me numa das mini-cadeiras, ofereceu-me kleenexes para limpar a baba à elvira e tratou-me por sôdotora. em setembro volto lá, para desenhar com eles.
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