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História têxtil

a história da capulana 2

01 de agosto, 2008

capulana

kanga

Continuando com a história da capulana, falta entre muitas outras coisas dizer que ela se separa em duas famílias culturalmente distintas: a da capulana propriamente dita, a que também se chama pano (por exemplo em Angola), pagne (nos países francófonos) ou chitenge ou kitenge (Zâmbia, Namíbia, etc.), cujo padrão pode ter dimensões variáveis e incluir ou não barras longitudinais, e a kanga, cujo padrão coincide com os cerca de dois metros de comprimento do pano, tem uma barra a toda a volta e, muitas vezes, uma frase inscrita (aqui há muitos exemplos). No Brasil também há cangas, mas sobre elas não sei grande coisa.

Uma das kangas que tenho é a da segunda fotografia. Foi trazida de Moçambique e é horrivelmente sintética, mas tem um motivo irresistível. Diz MUARA INTAMUENE ORERA (intamuene quer dizer amigo, o resto não sei). As kangas são usadas sobretudo nos países situados a norte de Moçambique.

A capulana da primeira fotografia também veio de Moçambique. É de algodão e é estampada pelo processo convencional, e não em batik como os outros tecidos africanos. Não sei se me engano muito se disser que em Moçambique, onde o comércio de tecidos está há séculos na mão de comerciantes indianos, os tecidos estampados têm maior importância que os de batik, mesmo que os motivos de uns e outros sejam semelhantes. Aliás, se se andar à procura (eu tenho andado) em fotografias da primeira metade do século XX, o que se vê são tecidos tradicionais de tear e depois também muitos estampados com ar português, impossíveis de distinguir a olho nu de chitas como estas:


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dos tecidos africanos

21 de julho, 2008

wax print

Não se pode contar a história da capulana sem falar de uma técnica em particular de estampagem, por intermédio da qual nasceu o tipo de tecido que mais facilmente identificamos como africano. É a técnica indonésia do batik.

Resumindo bastante, pode-se contar a história assim: em meados do século XIX os holandeses tentam entrar no importante negócio de tecidos em batik da Indonésia (então sua colónia), mas sem grande sucesso. Por razões conjunturais esses tecidos são introduzidos e apreciados na África ocidental (onde os batiks indonésios já eram admirados há muito), levando a uma reorganização dos produtores holandeses no sentido de adaptarem o desenho dos tecidos ao gosto do mercado africano. Também empresas inglesas se dedicam à produção de tecidos em batik, cujo fabrico ainda era semi-manual em meados do século XX e permanece muito mais complexo que a simples estampagem.

Muitos dos padrões introduzidos por estas empresas há mais de cinquenta anos continuam a ser produzidos e imitados por fábricas locais. Nos últimos anos, os produtores têxteis chineses vieram alterar drasticamente o funcionamento do mercado (centrado parece-me que sobretudo entre a Costa do Marfim e os Camarões). Os contornos do fenómeno (bem como o conceito de africanidade destes tecidos que afinal são coloniais) estão muito bem explicados nesta entrevista, que deve ser o texto mais interessante sobre o assunto disponível on-line.

Hoje em dia, grande parte dos tecidos africanos à venda são cópias dos desenhos desenvolvidos pelas empresas holandesas e inglesas ao longo de mais de um século e meio, e impressos em tecidos de má qualidade, muitas vezes já com mistura de fibras sintéticas. Quem sabe, distingue-os pelo tacto e pelo preço mas quem compra on-line arrisca-se a levar facilmente gato por lebre. Nas fotografias tentei mostrar a diferença de textura entre um tecido em batik genuíno (o cor de rosa) e uma imitação, mas não é muito fácil. Fica o conselho para quem quiser comprar tecidos africanos deste género (ou peças produzidas com eles): quanto melhor é o tecido mais difícil é distinguir o direito do avesso, mais bem sobrepostas são as várias cores, mais densa é a trama e maior é a gramagem. A ourela costuma dar indicações sobre a origem (às vezes falsas, mas vale a pena ver). O preço também é um bom indicador: os bons tecidos são mesmo caros, não há volta a dar. Um bom wax aguenta anos sem perder as cores e a textura (mesmo que nos faça companhia todos os dias), e uma imitação está irreconhecível depois de meia dúzia de lavagens. Se se for comprar on-line, escolher só sites que forneçam indicações precisas sobre a qualidade e origem de cada um dos tecidos.


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a história da capulana

20 de julho, 2008

lenço de moçambique

Reza a história que a capulana (ou kanga, ou pano, ou pagne) nasceu no Quénia em meados do século XIX. As versões variam nalguns pormenores, mas todas apresentam os portugueses como comerciantes de lenços estampados provenientes da Índia, muito apreciados na região. Aliás, mesmo consultada de raspão, percebe-se da bibliografia sobre as relações comerciais no Índico que pelo menos desde o século XVII os tecidos indianos eram importante moeda de troca e fonte de receitas no comércio com a costa oriental africana. Os portugueses, voltando à história, venderiam em Mombassa lenços (lesos) que eram cortados um a um de uma peça de tecido com cerca de 60cm de largura. Estes lenços seriam estampados pelo menos em parte com pintas claras sobre um fundo escuro. Algumas mulheres terão tido a ideia de comprar duas peças de três lenços e uni-las de forma a ficarem com uma peça de tecido com cerca de 180cm por 120cm, mais bonita e por um preço inferior ao de um pano com essas dimensões. Por o contraste do padrão lembrar as penas da galinha da Índia ficaram estes panos de seis lenços a chamar-se kanga (galinha da Índia em Swahili). Os comerciantes rapidamente introduziram panos estampados com a dimensão dos seis lenços juntos e a kanga/capulana ganhou novas características (a explorar noutros posts), mas o que me agrada mais nesta história é o pormenor de os lenços que se vendem ainda hoje em Moçambique (e que são mais bonitos e de melhor qualidade que grande parte das capulanas que de lá vi trazer) continuarem a cortar-se da peça um a um e a ter as pintas da galinha da Índia. Aliás, estes lenços são também curiosamente semelhantes nas cores (branco, vermelho e amarelo sobre azul escuro) e nos desenhos aos nossos antigos lenços (não confundir com as chitas) de Alcobaça, coincidência que daria certamente também pano para mangas.


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o tapete, e mais

16 de julho, 2008

o tapete

Estive sem blog. Não por que quisesse fazer um intervalo mas porque de um momento para o outro deixou de funcionar. Foi um grande susto, que afinal nem durou muito tempo. Muitos dos blogs que leio já tiveram pausas, mais ou menos longas, mas a mim ainda não apeteceu (e já lá vão sete anos inteirinhos). Valeram-me o talento do Luciano para uma minuciosa cirurgia à Ervilha Cor de Rosa que eu não seria de todo capaz de fazer e a paciência do Filipe (para me aturar, claro). Da experiência ficou a vontade de mudar para outro host. De preferência um que suporte WordPress e tenha um bom apoio ao cliente (sugestões?).

Na fotografia está o nosso novo tapete, comprado na FIA no passado fim-de-semana. É um kilim (mas não sei dizer de que variedade) e foi-me profissionalmente impingido depois de o namorar durante uns breves minutos. Toda a cena foi típica e vagamente anedótica (eu a dizer que não tinha ido lá para comprar coisa nenhuma e o vendedor a dizer que assim é que se fazem os melhores negócios, eu a regatear em Francês macarrónico e ele a não me deixar desistir, etc.) mas, finalmente, estou muito satisfeita. É lindíssimo e de muito boa qualidade, e fica mesmo bem debaixo dos pés delas.

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anatomia da meia

25 de maio, 2008

meias portuguesas

meias portuguesas

Por volta do tempo em que os animais falavam também andava de meias feitas à mão. Em Reguengos de Monsaraz a minha mãe comprava-as às senhoras que as tricotavam e lembro-me de como eram macias por dentro dos tamancos. Fui buscar um dos pares sobreviventes para ver como eram feitas: do cano para baixo, e com uma linda espiral de k2tog na ponta do pé. Encontrei outras, de lã, também portuguesas e trazidas já não me lembro de onde, que usei como chinelos até terem ido por acidente parar à máquina de lavar. A que fiz ficou pronta entretanto.

Mais: senhora a fazer meia no nordeste transmontano (fundo da página) e uma formação para meias de cinco agulhas decorrida em Gouveia em 2003, que não me importava de ter feito (não sei se por cá já se começou a desenvolver o turismo ligado a este género de coisa, mas lá fora é uma realidade).


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tempo de antena 2

28 de abril, 2008

minhota

Não estava à espera, mas entre as fotografias antigas da família também encontrei testemunho de vários carnavais e numa delas, de inícios dos anos 30, há uma menina vestida de minhota. Será mais uma para o Museu do Traje de Viana do Castelo.


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tempo de antena

31 de março, 2008

lavradeiras do minho

O Museu do Traje de Viana do Castelo está a fazer uma recolha de imagens de trajes (anteriores a 1960) para poder constituir uma Base de Dados de apoio a estudos sobre a utilização do Traje Popular Vianense. Os álbuns de fotografias de família são uma das fontes mais importantes, onde se encontram muitas vezes imagens com enorme valor documental.

Por isso pedimos a sua colaboração: reveja os seus álbuns de família. Se encontrar alguma imagem empreste-a ao Museu, onde será digitalizada e imediatamente devolvida.

Os responsáveis pela recolha estão igualmente a preparar a edição de um livro dedicado ao tema, onde as fotografias mais interessantes poderão ser publicadas (caso os proprietários autorizem).

Bisavós minhotas ou longínquas tias mascaradas, por favor encaminhem-nas para o António Medeiros e o João Alpuim:

Museu do Traje de Viana do Castelo
Email: museutraje arroba cm-viana-castelo ponto pt
Tel. 258 809 377

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taleigo

04 de março, 2008

taleigo

Em minha casa nunca se chamaram taleigos (palavra que suponho não se usar no norte e que aprendi aqui muito recentemente). Foram sempre só sacos do pão e de muitas outras coisas. Só tinha feito um antes, que continua a uso na mesma função, mas tenho outros que adoro, heranças de família, achados ou bem comprados, cada um com os seus imprescindíveis pompons e borlas, forros de pacotes de farinha aproveitados e minúcias que ainda não sei reproduzir.

Fiz um novo, com uma destas combinações de tecidos da Retrosaria, mesmo para o pão (há não tanto tempo quanto isso toda a gente levava um saco quando ia à padaria).

Mais taleigos e quejandos no Flickr, no blog da Alix, em Glória do Ribatejo e com um bebé dentro.


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alforge

20 de setembro, 2007

alforge artesanal

Não é que estivesse na minha lista de compras, mas apanhou-me desprevenida e não lhe resisti. É um alforge e namorou-me da montra da Loja do Mundo Rural, um dos melhores sítios de Lisboa para conhecer algum bom artesanato Português (à mistura com peças que não se percebe o que lá estão a fazer). Voltando ao alforge, acho que foi feito no Algarve (depois confirmo) e é lindíssimo (em Mértola fazem-se uns diferentes e igualmente bonitos). Para o usar é preciso prática, porque transportar peso num ombro só sem ele escorregar braço abaixo não é assim tão fácil. Pensei em pôr-lhe uma mola de forma a poder trazê-lo a tiracolo (até porque dá um bom agasalho), mas também fica óptimo sossegado em casa, no braço do sofá, nas costas de uma cadeira ou por cima de uma das portas que nunca se fecham. A E. e a A. adoram esconderijos para os livros e brinquedos...


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cores do mundo

28 de julho, 2005

boneca moçambicana
A E. teve esta boneca de presente mas eu é que tenho andado a brincar com ela sem me cansar de a admirar. Foi feita em Moçambique mesmo diante dos olhos da Carla e, apesar de parecer muito simples, dá-me uma sensação de movimento e de vida totalmente fora do vulgar. Tem um braço a segurar uma trouxinha que leva à cabeça e outro a amparar um bebé atado às costas. É deliciosa. Gosto imenso de bonecas de pano africanas (já tínhamos algumas) e de bonecas tradicionais em geral. Depois das da minha mãe, são sem dúvida as que mais me inspiram.


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