Bairro
29 de agosto, 2008
O meu bairro é pobre e sujo e barulhento e velho. Ou será antes arty, familiar e castiço? Eu (às vezes) gosto dele.
21 de março, 2008

Tema improvável para um post e menos ainda para vários: padarias das que abrem das 7 à uma e das cinco às 7, que vendem pão feito na noite anterior em vez do pão quente a todas as horas que já nem é bem pão, com mosaico, azulejo, balcão de madeira e tampo de mármore. A última do meu bairro, na Rua das Gáveas, ainda atrai os turistas com os estuques pintados, mas nem o chão nem o balcão são tão bonitos como há uns anos. Ainda há alguma intacta?
25 de fevereiro, 2008
Mais azulejos e mosaicos aqui do Bairro. Nos meus planos está também ir fotografar a última padaria das redondezas com madeira e mármore em vez de vidro e inox.
PS: quem salva o chão condenado por ignorância?
21 de fevereiro, 2008
Se eu todos os dias tirar mais dez fotografias e dessas dez o balanço da A. no sling fizer com que só nove fiquem tremidas, de quantos mais dias precisarei para fazer um levantamento completo dos azulejos do meu bairro?
05 de fevereiro, 2008


O jardim de São Pedro de Alcântara estava em obras há tanto tempo que a E. nem se lembrava de lá ir. Reabriu sem pompas (tal era a vergonha pelos atrasos) e está lindo e limpo, com acesso livre ao nível de baixo. A meu ver fazem falta uma esplanada e um par de baloiços, para que se possa gozá-lo e estimá-lo mais mas mesmo assim só para passear já é um regalo.
02 de dezembro, 2007


A minha crescente colecção de quadrados.
What's quilting: colecção de links, a que acrescento este.
27 de novembro, 2007



A olhar para as paredes. E para o chão.
O meu quilt está quase quase. Falta só a minha parte favorita (o rebordo) e depois lavá-lo para o ver transformar-se em mais um invólucro perfeito.
Birds of a Feather: a provar que nem todo o ponto-cruz contemporâneo precisa de ser uma piroseira (via Moving Hands).
Pledge Handmade: Natal feito à mão.
26 de setembro, 2007

A propósito de um dos chãos mais bonitos da minha rua, um link para o blog da Alix, que é novo em folha (sobre ela já escrevi aqui) e uma enorme vontade de ter um quilt para acolchoar à noite. Quanto ao mosaico hidráulico &hearts patchwork, continuo assim.
Quit love: Blossom quilt da Rita, este, um e outro log cabin antigos, e os que tenho de ir ver ao Barreiro.
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Nada a ver: ali na coluna da direita, estreei uma secção de posts em destaque.
03 de julho, 2007


Passei Domingo e Segunda a recear pela nossa árvore. A nossa árvore não é nossa mas é a árvore que nos faz companhia e se vê das nossas janelas. É a nossa cortina e o nosso cenário. É frondosa e exótica, tem folha caduca e flores cor de rosa e mora no pátio de uma instituição vizinha. No Domingo vi chegar um grupo de homens armados de serras, cordas e escadote. Praguejavam à portuguesa e trabalharam sem respeito ou método. Deceparam as companheiras da nossa árvore e a esta partiram bruscamente muitos ramos, mas deixaram-na viva. Suponho que houvesse razão para o que fizeram, não sei. Serraram, praguejaram e violaram todas as regras de segurança no trabalho durante um dia e meio, e eu a chorar a árvore como se ela fosse gente.
Corte bom foi o outro.
01 de junho, 2007

Acho que é a última mercearia da rua com mosaico hidráulico no chão e não me espantava se fosse a última do bairro. A D. Ana está em obras e disse-me que a Câmara a mandou substituir o chão, que tem mais de cinquenta anos de uso e, fora a cor se ter desgastado, está impecável (como este que, um quarteirão acima, ainda resiste), por um pavimento cinzento, de aspecto plástico, que aposto que não durará nem dez. Porquê?
PS: O comentário da Fátima, que agradeço, levou-me a subir a rua para ouvir a história mais bem contada. A D. Ana garante que foi a CML que a obrigou a substituir o chão, mas creio que terá sido a ASAE (que percorreu recentemente o bairro). O tristemente famoso excesso de zelo desta autoridade tem levado a protestos por razões semelhantes noutras partes da cidade. É inaceitável que as mercearias tenham de se livrar dos armários em madeira e todos os seus outros mobiliários e revestimentos de origem quando estes se encontram em bom estado. É inaceitável que, sendo justificada a substituição de pavimentos, os Gabinetes Técnicos dos bairros antigos não aconselhem os comerciantes, pelo menos, a colocar material novo igual ao antigo. Vão os armários para as lojas chiques de design, onde são vendidos a preços exorbitantes, e ficam as mercearias vestidas a azulejo de casa de banho. Lá vai Lisboa...
09 de fevereiro, 2007

Uma e outras imagens pelo Sim, os meus argumentos e os daqueles ao lado de quem fiz a campanha de há nove anos.
21 de agosto, 2006

Há meses que andava a namorar a montra da Sapataria Lisbonense, enquanto me decidia entre calçar ou não à E. uns sapatos mesmo a sério (porque pensando bem não tinha tido uns únicos até hoje cuja sola não fosse de borracha). A experiência, que já resultou num par de pés felizes, fez-me pensar que 1. há anos que não entrava numa sapataria propriamente dita; 2. só tenho e só tive nos últimos anos um par de sapatos sem sola de borracha e as vezes que os usei contam-se pelos dedos de uma mão; 3. esses mesmos sapatos são também, que me lembre (e apesar do nome enganador da marca), os únicos sapatos portugueses que tive em talvez mais de dez anos (!).
Alguns links atrasados:
Denise Burge (via Whip Up).
Piece of Cake: este estojo, estes bonecos e as outras imagens todas.
04 de abril, 2006

Rendida às evidências, encomendei aqui o recheio (wadding) apropriado para terminar este projecto.
Sobre o assunto de ontem / eternamente pendente, constatei esta manhã com alívio que a Linha do Cidadão Idoso ainda está viva. Atenderam-me com a simpatia do costume mas as notícias que tinham estavam longe de ser boas. Pelos vistos a Autoridade de Saúde voltou a pronunciar-se sobre o assunto no final de 2005 para dizer o mesmo: no seu entender não há razão suficiente para fazer alguma coisa. Frustrada, questiono-me acerca do fundamento para este parecer. Sei bem que há (infelizmente), mesmo aqui no Bairro Alto, muitas outras pessoas a viver assim tão mal ou mesmo pior. Não pode ser essa a razão para não intervir a tempo (três anos de alertas deviam chegar e sobrar). Nas histórias parecidas de que tenho sabido a solução é invariavelmente a mesma: resolve-se o problema quando a pessoa em causa morre, mas não antes. Tenho vergonha de estar à espera.
02 de fevereiro, 2006

Hoje percorri o bairro dos meus pais como não fazia há muito. É um bairro que não é bem um bairro, entalado que fica entre a Madragoa e outro (o Alto). Nos últimos anos transformou-se quase beyond recognition e acho que só hoje percebi quão poucas lojas são as mesmas de quando lá chegámos. Em 1984, a menos de cinco minutos de casa tínhamos uma chapelaria (agora vazia), um correeiro (tornado loja de molduras de revigrés reluzente no chão), onde ia aplicar molas e ilhoses nos empreendimentos crafty da época, um grande armazém de louças e plásticos (agora loja de quinquilharias sazonais), várias lojas de pronto-a-vestir (agora lojas chinesas e dos 300), ourivesarias, padarias, inúmeras mercearias (umas mais especializadas que outras), sapatarias, duas drogarias (a que não fechou é a única loja da zona cujo interior ainda não foi destruído), farmácias, o fotógrafo do bairro (grande resistente), carpintarias, retrosarias, um alfarrabista (outro que sobrevive), barbearias, papelarias, confeitarias, etc. Na altura só a Chapelaria Royal parecia condenada. Tento recordar cada uma das novas lojas por onde passei hoje (produtos naturais, decoração, bijuterias, agência de viagens, loja dos trezentos, loja chinesa, loja chinesa, loja dos trezentos) e das velhas também (loja de roupa de homem em liquidação total, loja de roupa a fechar, loja fechada, loja fechada, electricista empoeirado, tasca, papelaria fechada, loja de velharias feita agência imobiliária, quinquilharia, loja chinesa) e perceber como pode ser que a maior parte daquele novo comércio tradicional seja agora o do absolutamente inútil (brindes, quinquilharia, decoração, fonte a pilhas, flor de plástico, peluche piroso, pastilha elástica).
31 de março, 2005

10 de março, 2005


Não são poucos os dias em que dou por mim a pensar que gostava de morar numa casa mais cómoda, mais nova, numa rua com passeios mais largos e onde carregar um bebé quatro andares para cima e para baixo várias vezes ao dia não fosse tão cansativo. Mas são mais aqueles em que adoro a luz da nossa casa (hoje mais branca, noutros dias mais quente) e fico contente por ter por vizinhas muitas pessoas especiais e outras tantas lojas onde nunca se entra vezes que cheguem, como esta.
Não esquecer (note to self): da próxima vez que a gaveta do detergente da máquina da roupa não quiser abrir, verificar se por baixo dela não estão todos os ímanes misteriosamente desaparecidos do frigorífico durante os últimos meses.
[tag: softies]
26 de janeiro, 2005

Mesmo tendo lido textos e mais textos manuscritos dos séculos XIV a XVII (incluindo um processo da inquisição de Évora de fio a pavio e pelo original), nos quais tirar o máximo partido do suporte e do tempo implicava abreviar quase todas as palavras com regras bem definidas, às vezes ainda fico um bocadinho chocada. É prova de que estou a ficar velha.
21 de outubro, 2004

Há uns anos, não sei a que propósito, alguém pintou por todo o bairro um rasto de pegadas azuis e amarelas. A E. adora-as. Quando começamos o jogo das pegadas (onde está a próxima? de que cor é?) esquece-se logo de fazer fitas para vir ao colo.
Direct from Mexico: lindas bonecas mexicanas.
07 de outubro, 2004
Não é porque o vejo da janela. É mais porque a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais diz que se trata de um monumento cuja protecção se encontra em estudo e ao mesmo tempo a Amorim Imobiliária já diz que tem Apartamentos T1 a T5 em pré-comercialização.
Não estou por aí além interessada na conservação do típico e no popular do Bairro Alto (sobretudo no que toca aos ex-libris que são as esquinas mal-cheirosas, os chefes de família alcoólicos, os velhos sem água canalizada, o lixo no chão e as casas a cair de podres, todos tão tradicionais, para não falar na heroína que agarrou pelo menos uma geração de nados e criados entre a Rua do Século e a da Misericórdia). Fico contente quando vejo as tias às compras na Rua do Norte, os casais novos sem medo da falta de elevadores e os adolescentes de outras paragens que cá vêm cortar o cabelo ou à procura de roupa e acessórios diferentes. É claro que o Bairro só sobrevive mudando, integrando gente diferente e maneiras diferentes de viver. Mas não é assim.
Por isso é que não hesitei em assinar a petição contra esta transformação do Convento dos Inglesinhos num condomínio fechado feita assim à sorrelfa.
22 de junho, 2004

From the mysterious little shop that sells weird t-shirts and detergent.
09 de junho, 2004
Não se espante se, da próxima vez que bloquear uma das ruas do meu bairro ao estacionar a sua viatura, encontrar no regresso uma valente amolgadela ou outro dano da minha autoria (não quero saber se é morador, se só ia demorar cinco minutos ou se estava a carregar ou a descarregar alguma coisa). Para passar entre um carro e uma parede (ou um sinal de trânsito ou seja o que for) uma cadeirinha de bebé (para não falar de uma cadeira de rodas) precisa de mais espaço que o vulgar peão. Estou farta de contornar quarteirões inteiros.
Reclamações, é favor endereçá-las à CML.
04 de junho, 2004

28 de maio, 2004
Aqui no bairro, são sinais do verão que se aproxima o cheiro a bolos quentes a partir da meia-noite e o de sardinhas assadas ao fim-de-semana.
27 de maio, 2004

Depois de a Isadora, que é uma rapariga séria, escrever aquela entrada sobre o Jorge Costa, quem sou eu para ter vergonha de dizer aqui que cá em casa torcemos todos pelo FCP (e eu em particular pelo treinador e pelo guarda-redes)?
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