abril 2007
30 de abril, 2007

Militei contra o mentecapto do barrete azul, controlei com mão de ferro a ingestão de açúcar nos primeiros três anos, continuo a subtrair os saquinhos de lixo alimentar que se tornaram (triste) lembrança da maioria dos aniversários e sou refractária à piroseira em quase todas as suas manifestações, mas aqui nem cheguei a dar luta. Para escândalo das matriarcas da família (educadas e que me educaram para ser o oposto do que a boneca representa), na Páscoa que passou ofereci uma Barbie à E. Fazem-me impressão os pés demasiado pequenos sempre em meias pontas mas, de resto, estou mais ou menos em paz com a personagem. Parece-me quase ingénua, ao lado da sua maior concorrente e de outras inventadas entretanto. A E. penteia-a longamente e nunca lhe veste as calças de ganga que comprei para que tivesse um aspecto vagamente mais familiar. Prefere o vestido de princesa e brinca uma e outra vez aos bailes e casamentos com um príncipe imaginário (às vezes protagonizado pelo comando da televisão). Faz parte. Não deixou de brincar com a Rosa Clara nem nenhum dos outros. Talvez um dia destes lhe mostre estas.
29 de abril, 2007

Como previsto, a revista Pais&Filhos de Maio traz um artigo de três páginas sobre babywearing. É bastante informativo e inclui depoimentos de um pediatra e uma fisioterapeuta sobre os benefícios desta prática.
Baby wearing: How carriers help you and your baby: um vídeo sobre os diversos tipos de slings (obrigada pelo link, Sónia).
...e a galeria de imagens, sempre a crescer.

Três bonecos e dois slings novos.
27 de abril, 2007

A A. fez hoje seis meses. Para ser como dizem as médias, virou-se ontem à noite sozinha pela primeira vez de barriga para baixo e hoje aguentou sentada sem apoio uns breves segundos. E nós, para comemorar, por instintivamente me parecer certo e por acreditarmos no que diz a OMS, experimentámos dar-lhe um primeiro lanche diferente de todos as que tinha tomado até então. Ao contrário da E. que, por estudar atentamente as nossas refeições, soube um mês mais cedo ao que vinha a colher e o seu conteúdo, abrindo sem hesitar a boca, a A. ainda não está muito interessada no assunto e, se pudesse, dir-me-ia certamente que acha muito mais estimulantes para o palato os seus próprios dedos dos pés.
Surpreendem-me sempre as diferenças entre as duas, e nunca saberei quantas se devem ao método simplex que aplicamos ainda mais agora do que quando fomos pais de primeira viagem. A A. não tem e passa bem sem uma data de coisas que fazem geralmente parte daquilo que é quase o tuning dos bebés: não tem chucha (porque não quis) nem biberão nem a parafernália de acessórios destes dois acessórios, não tem mudador e ainda não tem sapatos, não usa outro cosmético que não o vulgar e maravilhoso óleo de amêndoas doces, raramente anda no carrinho e os pais não carregam um saco especial por causa dela (mesmo que os haja lindos e que comprar sacos, carteiras e carteirinhas seja uma das tentações da mãe). Por outro lado tem mimo a rodos, bochechas cor de rosa e um sorriso de parar o trânsito (o que é que se pode querer mais?).
26 de abril, 2007

Não é de algodão (só porque já não se faz) e o termo já não é bordado mas sim jacquard. De resto, acho-o perfeito. Vou comemorar com um de outro género, ali à cozinha.
25 de abril, 2007


24 de abril, 2007

O fogão que comprei nesta loja e alguns links têxteis:
Sock dolls: as melhores bonecas de meias, feitas por uma das minhas criadoras de bonecos preferidas (sou a dona orgulhosa desta, perfeita na construção e no pormenor, a que a E. chamou Papoila).
Call for submissions: um livro sobre malas e outro sobre joalharia.
Vontade de bordar: por um livro de há muito tempo (via In a minute ago), como a minha tia-bisavó ou o som (via microRevolt).
China blue: para pensar antes de vestir (via microRevolt).
Tailor in the house: a E. daqui a uns anos?
23 de abril, 2007


Ei-lo, finalmente terminado, lavado e seco ao sol. Perdi a conta às dezenas de horas que levou a terminar e no tempo que levei a fazer este à mão podia ter feito uns vinte à máquina. Mas não era a mesma coisa.

As fotografias dele inteiro são muito más, por isso ponho-as só em pequenino.


Enquanto o quilt seca (está acabado, finalmente), antes de sair para o meu outro trabalho, com a A. a sabotar-me o post batendo gloriosamente na space bar, um minuto para deixar escrito que o documentário Supersize Me devia ser de visionamento obrigatório para pais, mães e crianças em idade escolar. A E. tem quatro anos recém-feitos e já chegou a casa a perguntar quem era o maquedónalde. Depois de esclarecida e passadas algumas semanas disse que todos os seus amigos gostavam muito de ir ao McDonald's e depois que também lá queria ir comer caixotes de batatas fritas (os quatro anos e as conversas delirantes com os colegas da escola davam matéria para muitos posts). Obviamente não irá tão cedo.
E agora ala que se faz tarde, mas não sem antes apontar para as belíssimas rodilhas de Viana mostradas pela Natacha. A tag rodilha, no flickr, está cada vez mais animada.
20 de abril, 2007

Foram utensílio de muitas mães e avós e continuam a ser um excelente brinquedo para crianças pequeninas e para as outras, mais crescidas, que têm no caixote das máscaras uma das brincadeiras preferidas. Também podem ser bases para a mesa, alfineteiros e, menos provavelmente, amparo para aquela laranja que está prestes a ser comida.


19 de abril, 2007

Já não tenho a certeza, mas acho que em pequena tive rodilhas para brincar. Pensei nelas das várias vezes que transportei coisas à cabeça escada acima, mas não sabia fazê-las. Agora sei, graças à Mary. Em quatro entradas de um blog que já merecia o estatuto de blog de interesse público se tal coisa existisse, A Saloia (que é também autora das bonecas de pano portuguesas mais bonitas que conheço) aprendeu e partilhou a (uma?) maneira de fazer rodilhas, e nelas praticamente estreou o assunto na internet: Sogras/Rodilhas Workshop, Part I, Part II, Ideias para rodilhas.

Para o interior da minha rodilha usei pedaços de ganga e outros tecidos que sobram de fazer os slings.

Na parte de fora, dei finalmente destino a parte do trapilho da rowan e três tiras de feltro de lã.
Googlei imagens de rodilhas, mas só cheguei perto quando cruzei peixeira, vendedora e cesto. Aí encontrei algumas imagens, das quais a mais bonita é uma fotografia de Artur Pastor publicada no Abrupto.
Obrigada, Mary!

PS: afinal tinha procurado mal: depois de publicar o post encontrei as rodilhas mencionadas de passagem em algumas páginas sobre artesanato e uma imagem de rodilhas no site da Câmara Municipal de Proença-a-Nova.

Os vizinhos e conhecidos chamam à A. miniatura da irmã. São de facto parecidas. Tirando o tom de pele e o feitio da testa, crescem pelos mesmos percentis e assemelham-se na maior parte dos contornos. Mesmo que nos ritmos e no chamado feitio sejam bem diferentes (salvo nas abençoadas noites inteiras que começaram ambas a dormir com pouco mais de um mês de idade). As diferenças, tendo a atribuí-las aos factores ambientais e a achar que muitas vezes os genes têm as costas largas, por muito que pense que estou a educá-las da mesma maneira. Para quase todas encontro explicações mais ou menos verosímeis e, frente às outras, rendo-me à verdade recém-descoberta pela E.: Mãe, sabes que a minha vida é diferente da tua vida?
Foram diferentes os últimos meses de cada uma dentro da minha barriga (uma de cabeça para baixo, outra de cabeça para cima), diferentes os partos (uma nasceu, a outra foi nascida) e as primeiras horas de vida (uma à minha beira e a outra raptada para um berçário apesar das minhas lágrimas e súplicas), é diferente o meio de transporte (uma quase sempre no baby björn e a outra de tal maneira adaptada ao sling que as rodas do carrinho só saíram uma vez de casa em quase seis meses) e é diferente sobretudo a relação que se tem com um primeiro e com um segundo filho: o primeiro ganha na velocidade de resposta dos pais mas o segundo tem-nos menos ansiosos e muito, muito mais seguros no pegar, no cuidar e no brincar. E por aí fora, que podia ficar a escrever este post o dia todo.
18 de abril, 2007

A mais recente remessa de bonecos para a nurseryworks partiu no dia em que soube (obrigada Patrícia!) do destaque dado à marca (e com ela, àqueles) pela revista Mix future interiors.

Mix Future Interiors, n.º 7 (2007).
Aqui em grande.
17 de abril, 2007

Juntamente com o log cabin, o pinwheel é um dos meus padrões preferidos. É muito simples e produz efeitos muito diferentes, consoante se usem tecidos mais ou menos contrastantes. A não muitos dias (espero) de terminar este, voltei a pegar noutro quilt que tenho em mãos desde o ano passado. Tem só três cores, um monte de tecidos diferentes e, se eu ganhar juízo (e perícia), vai ser acolchoado à máquina.
Links:
Patchwork português: Ermelinda Cargaleiro (coincidência com ou influência sobre o trabalho de Manuel Cargaleiro?) e Maria Teresa da Conceição Mendes.
Volksware carpet: um quilt-tapete-instalação feito de peças de roupa inteiras. Vendido ao metro.
Quiltsryche | evil rock quilts, de Boo Davis.
Cozy patchwork de camisolas feltradas.
Levitated: Nine block pattern generator.
I haven’t been making anything: quilts e bebés, a melhor combinação.
16 de abril, 2007

Descemos ao Alentejo com a desculpa de ir ver esta exposição. Visitámos o cromeleque dos Almendres, cheirámos o rosmaninho, brincámos aos restaurantes dentro de uma escultura e seguimos até Reguengos. A Fábrica Alentejana de Lanifícios estava fechada, mas revi a minha casa e a minha escola de há vinte e muitos anos.

13 de abril, 2007

Estes marcadores devem ser a melhor prenda que a E. recebeu em muito tempo. Deles nascem diariamente dezenas de desenhos (que já consumiram resmas de fotocópias dos meus tempos da faculdade), servem para fazer construções elaboradas e a mim apanham-me desprevenida com lindas paletas de cores - tão lindas como as do kuler -, que vou fotografando para projectos futuros.
Alguns de muitos links:
O fim da Agenda LX tal como a conhecemos. É verdade que é uma produção de luxo, e é discutível por exemplo a pertinência de incluir crítica de discos e livros, mas deu-me a conhecer muitos cantos da cidade e espero sinceramente que as mudanças previstas não lhe tirem o que tem de melhor.
O concurso Aqui há Selo dos CTT (obrigada a todos os que votaram no tema que propus) parece muito mal organizado. Não há qualquer avaliação prévia das propostas submetidas antes da sua publicação no site, por muito absurdas que sejam, e por isso é muito difícil encontrar alguma com o mínimo de qualidade. Gostava de participar, mas ainda mais de ver a votos propostas do João, da Carla, do Feitor, da Sara...
Google image labeler: uma brincadeira viciante.
PS: A Carla Pott aceitou o meu desafio e submeteu um dos seus lindos cavalinhos a concurso.

Costumava achar que o maior desafio em termos de maternidade era um par de gémeos, mas já não tenho tanta certeza. Dou por mim a pensar que, depois da maratona de uma gravidez e parto de dois bebés, e da prova física extrema que deve ser amamentá-los ao mesmo tempo, cuidar de duas crianças pequenas de idades diferentes possa ser ainda mais desgastante (mas não tenho termo de comparação, claro). Já escrevi e continuo a achar que o que cansa é sobretudo o jet-lag. Os quatro anos são uma idade extraordinária e ter um bebé é estar apaixonado, mas a mudança constante de registo (diálogos de monossílabos com uma e explicações complexas para a outra, angústias que acabam com um colo de um lado e assuntos que precisam de atenção e longas conversas do outro) estonteia-me até, em alguns fins-de-tarde, ficar com a cabeça como a da mãe do lindíssimo postal que recebi ontem pelo correio. Vale-me o milagre de na manhã seguinte a encontrar sempre outra vez sobe os ombros.
12 de abril, 2007

Com a ajuda de um nosso amigo de outras aventuras (porque não vale abusar da paciência do modelo do costume), há novos slings na loja. Este, que tem duas faces do mesmo tecido (para variar e para poder apanhar todo o extraordinário padrão), é dos meus preferidos de sempre.
A galeria de bebés slingados continua a crescer e o próximo número da Pais&Filhos vai trazer uma montra dedicada ao babywearing.
11 de abril, 2007

A Loja das Maquetas está maior e muito melhor do que era no Bairro Alto. Entre muitos materiais escolhidos a dedo e com gosto, tem x-actos e lâminas Olfa de todos os feitios, alcatifa fininha de muitas cores, carpélios, plásticos e papeis lindos e ainda uma raridade: quadrados de feltro espesso de 100% lã em várias cores.
Loja das Maquetas
Rua Eduardo Coelho, 80 (junto à Academia das Ciências)
10 de abril, 2007

Esta semana com quatro novos bonecos.

09 de abril, 2007

Cinco dias, um monte de ovos de chocolate, um passeio Douro acima e dois passarinhos depois, estamos de volta a Lisboa.


04 de abril, 2007

Os CTT estão a promover um concurso de propostas para emissões filatélicas do próximo ano. Já só faltam três dias para a votação terminar, de forma que não conto ficar entre os dez primeiros lugares (os que passarão à fase seguinte), mas não podia deixar de puxar a brasa à minha sardinha e propor uma colecção de selos sobre chitas.

Soajo, 1980. Fotografia de Alexandre Pomar.
Desde os primeiros anúncios, que pediam depoimentos e histórias de vida, que aguardava a estreia desta série da autoria de António Barreto. Perdi o primeiro episódio mas, depois de ontem ter visto o segundo, espero ter as meninas a dormir a horas de não perder mais nenhum. Conhecia de outro documentário as declarações chocantes do autarca algarvio dos anos 70, a propósito da urbanização selvagem do sul do país, mas as imagens do Portugal a preto e branco põem-me sempre a pensar. A preto e branco não há gordos. Reparei nisso há anos, julgo que nos excertos que vi das recolhas de Michel Giacometti, e nunca mais consegui deixar de ver (em todas as imagens do programa de ontem, uma única mulher não era magra) essa fome quase omnipresente até há tão pouco tempo. Desse país, o dos meus pais e avós, o que conhecerão as minhas filhas? Das visitas de estudo que fiz durante a primária, as que melhor recordo foram a fábricas: uma de conservas (acabou com a turma a deliciar-se à mão com uma lata gigante de cavala), outra de açúcar e ainda a de bolachas e chocolates da Aliança. Eram todas em Lisboa, dentro da cidade. Nenhuma sobrevive. Restará talvez para elas desse Portugal, o rural e o das fábricas, o que foi guardado e/ou reinventado pelos ranchos folclóricos (sem eles não seria certamente possível comprar hoje - e pela internet - um fato completo de lavradeira do Minho), por alguma museologia e pelos nichos de mercado.
Nota: na fotografia, tirada se não me engano num princípio de Primavera em que a água das poças ainda gelava, mais uma achega para a história do mundo antes das fraldas descartáveis, sobre a qual comecei a interrogar-me nesta altura: o menino, provavelmente com dois anos, tem sapatos e meias até aos joelhos (vêem-se noutra fotografia da mesma série) mas, da cintura para baixo, mais nada.
03 de abril, 2007

Mais uma entrada para o Crafty Tour of Lisbon, com uma loja que parece não ter mudado muito nos últimos anos e felizmente continua cheia de fregueses. Os lojistas têm bigode e muitos anos de caixa, como gostam de dizer. É uma das minhas preferidas em toda a Baixa de Lisboa.
Casa Tavares & Tavares
Rua dos Fanqueiros, 251/253 e 257 V/E
1100-230 Lisboa

De mãos gigantes, caracóis, varinha mágica, uma filha no sling e outra pela mão. Desconfio que a parte da varinha é uma indirecta.
...e aquela mão suspeita na boca da irmã?
02 de abril, 2007

Apesar de lá irmos todos os anos, a E. nunca tinha visto dançar o rancho de Carreço Grupo Folclórico e Cultural Danças e Cantares de Carreço*. Ontem, sem sair de Lisboa, vimos rancho, cabeçudos, gigantones e zés-pereiras. Ela gostou mais do rancho, claro e, depois de meter conversa com uma das mordomas para lhe poder ver de perto os ouros e as roupas, veio embora a ensaiar o Vira. E eu vim embora a relembrar os passeios e tudo o que aprendi (sobre vacas, coelhos, galinhas e etc.) com a minha amiga Lígia, uma das lavradeiras de há vinte anos.
Mais sobre o dia de ontem aqui.
*Obrigada, Diana e Paula, pela correcção!


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