novembro 2006
29 de novembro, 2006


Nas últimas duas semanas a A. passou boa parte do dia confortavelmente enroscada no sling de uma amiga. Éramos para o ter devolvido há dias mas comecei a achar que não podia passar sem ele. Okupámo-lo enquanto tentava decidir-me (coisa que uma puérpera não faz facilmente) entre várias marcas, até que me lembrei que também podia fazer um. Googlei (o verbo existe pelo menos em Inglês) o assunto e encontrei diversos moldes e muita informação. Passei uma manhã a imaginar as costuras perfeitas para juntar conforto e acabamentos bonitos e em poucas horas... voilà! Agora é resistir à tentação de fazer um diferente para cada dia da semana, até porque tenho de dar resposta aos pedidos de bonecos...

28 de novembro, 2006

A minha menina cresceu de repente. Nos últimos meses aprendeu tantas coisas que parecem demais. Quero listá-las e perco-me. Aprendeu cada um dos meus gestos a tratar da irmã e imita-os ao pormenor. Faz-nos rir (e às vezes perder a paciência) com o jeito para argumentar e regatear, surpreende-nos com os desenhos, as histórias, as associações de ideias, o vocabulário e a destreza de mãos. Ontem, para minha surpresa, estreou-se no tricot.
25 de novembro, 2006

Irrepetíveis. Tenho tanto que escrever mas também tenho uma menina a querer brincar comigo e outra a querer acordar. É bom ser mãe de 2.
22 de novembro, 2006


Há algumas semanas fui contactada pela Tita Costa, que se dedica a tingir lãs com pigmentos naturais. Pedi-lhe algumas amostras e fiquei rendida - já estou cheia de vontade de pegar nas agulhas de tricot* outra vez. As cores são lindas e ainda gosto mais delas por saber que são obtidas com feijão preto, uva tintureira, cebola, barba de milho, casca de noz, hera...
Como já recebi várias vezes emails de pessoas à procura de lãs bonitas cá em Portugal, aqui fica o contacto: oficina.fio@gmail.com.
*por falar em tricot, olá Ana, estavas muito linda na revista do Expresso este Sábado.
20 de novembro, 2006


Do Porto, onde parece que me lêem as vontades: garfinhos da (minha tia-avó) Bgi (ainda melhores do que areias) e doce destas abóboras da Elsa e do Luciano.

Como não conheço pessoalmente a Eduarda Abbondanza, ontem a Pública trouxe-me uma dupla boa surpresa.
17 de novembro, 2006

Contra todas as evidências, lá fora o tempo não parou. Prova disso são as cantigas novas que a E. traz da escola todos os dias (lembro-me mas não sabia que me lembrava de quase todas - estranha máquina, o nosso cérebro) e o correio: tecidos japoneses oferecidos pela Anna Dilemna, pintinhas espanholas descobertas pela Ana Lopez Gomez e os meus novos cartões Moo.
Na véspera de a A. nascer (ou, melhor, ser nascida) ainda tive vontade de trabalhar mas há três semanas que não sei o que isso é. A ideia de aproximar agulhas do berço para já assusta-me, mas já sonho com combinações de cores e padrões. Em Dezembro espero retomar devagarinho a produção mas, até lá, não consigo concentrar-me em tarefas mais exigentes do que a leitura: passei da Silvia Plath que me acompanhou nas últimas esperas das últimas consultas para o Bilhete de Identidade que inesperadamente encontrei por casa dos meus pais e de que, passe a overdose de vírgulas, gostei bastante.
Na blogolândia, previsivelmente, quase tudo me passa ao lado. Do pouco que não me escapa, ficam um cobertor, uma boneca, cada um dos posts da Jane e dos da Ana.
14 de novembro, 2006

1. Cada vez que olho para ela penso que nunca vai voltar a ser tão pequenina e quero comê-la com os olhos e com beijos. 2. Tentar dar atenção às duas ao mesmo tempo nunca funciona. 3. A E. tem dores imaginárias desde que a irmã nasceu mas exibe-a com orgulho às visitas como se de obra sua se tratasse. 4. (e 5. e 6. e 7.) Uma cesariana não é um parto.
07 de novembro, 2006

Ainda antes de escrever qualquer um de muitos outros textos que me apetecem e com uma ressalva*, um momento de publicidade gratuita aos dois produtos que me pouparam a um mês garantido de sangue, suor e lágrimas como o que passei quando a E. nasceu, e que só não me fez desistir de a amamentar à custa de uma enorme vontade e de muitos abraços apertados:
Poucas mulheres saberão bem o que as espera quando põem pela primeira vez o seu primeiro filho ao peito. A julgar pelas que comigo partilharam a enfermaria desta vez serão mesmo mesmo muito poucas. As que frequentaram cursos de preparação para o parto ou que leram sobre o assunto (uma minoria?!) têm noções mais ou menos vagas sobre posições correctas, conhecem o vocabulário (colostro, subida do leite, gretas e mastites) e sabem com maior ou menor pormenor que os bebés beneficiam em ser amamentados. As outras, surpreendentemente, parecem não saber mesmo nada. Baralham-se com as instruções contraditórias das enfermeiras e ao segundo dia já imploram pelo suplemento. A verdade, quanto a mim, é que neste como em muitos outros aspectos da maternidade o instinto não basta e quanto mais informação e preparação, melhor. E mesmo assim custa. Pouco a umas, muito a outras e tanto que desistem a muitas. A mim, da primeira vez, custou muito. A teimosia que me fez persistir não seria certamente tanta se não estivesse informada como estava. Desta vez (e aqui vem finalmente a parte da publicidade) custou-me muito menos. Três dias em vez de trinta! Graças, naturalmente, à experiência adquirida, mas com a grande ajuda de um creme - Lansinoh Brand Lanolin - e de um acessório de aspecto estranho, as conchas da Avent - ISIS Comfort Breast Shell Set. Ambos foram oferecidos por uma mãe com provas dadas na matéria e aqui ficam recomendados, absolutamente by appointment d'A Ervilha Cor de Rosa.
*a ressalva, sobre o exagero de produtos que rodeiam um recém-nascido, fica para outro post.
04 de novembro, 2006

o teu pequeno-almoço,
almoço,
lanche,
jantar,
ceia,
bocadinho de qualquer coisa,
chão
e linha do horizonte.
02 de novembro, 2006

E. para o pai que a adormecia, numa das noites que passei na maternidade:
Papá, tu és o meu tronco.
(e o meu também).
01 de novembro, 2006

E agora, mamã, o que é que eu posso fazer mais sobre a minha mana?
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