a ervilha cor de rosa
blog shop etc.

fevereiro 2006

#507 e #496

27 de fevereiro, 2006

lala lala

Impressions d'Inde, a propósito de um irracional fascínio por rótulos e carimbos em tecido.

Nu Amu Misin ?: gurumi arts via Wawaya.

lala lala

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3 anos

26 de fevereiro, 2006

boneca
Há três anos nasceu e ao terceiro aniversário celebrou cada pormenor, das prendas aos parabéns, às velas, ao bolo de chocolate que pediu especificamente, aos telefonemas. A prenda preferida (de muito longe) foi a longamente planeada boneca. A boneca, baptizada minha [dela] filha. Foi encontrada aqui e é a resposta aos desejos dela (roupas de vestir e despir e cabelos compridos para pentear) e meus (é uma boneca com todos os atributos da espécie mas não é assustadoramente feia nem pirosa). Agora, como boa avó, vou passar o serão a tricotar-lhe uma camisola.

boneca

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a coroa,

24 de fevereiro, 2006

coroa
ou os tácitos protocolos dos infantários:

Depois de me terem dito que os meninos pequeninos não iam mascarados para a escola esta manhã encontrei três Noddys na sala da E. Esta coisa das máscaras na escola soa-me sempre a competição velada entre os pais. Um dos Noddys tinha carro e tudo. Como pressenti que corria o risco de ser a única sem acessórios carnavalescos, a E. levou uma coroa que fizemos as duas ontem à tarde e pronto. Nada de cetins brilhantes made in China. Cortei uma tira de alcatifa, cosi-lhe botões e juntei as extremidades. Depois lembrei-me que também podia tê-la pintado, mas ela gostou assim.

coroa
coroa

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#505

23 de fevereiro, 2006

505
Há momentos em que a luz é perfeita e pronto. Dei pelo de hoje quando lhe estava a lavar os dentes, na cor da pele dela, mesmo em cima da hora de sair para escola, e disse-lhe

estás tão bonita que temos de ir tirar umas fotografias.

mão

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#503

22 de fevereiro, 2006

503

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fresco

verde
Num raro acto de fidelidade ao pequeno écran, vi ontem a terceira e última parte de um documentário que me apanhou de surpresa: Status Anxiety. Há alturas em que ser leiga (ou será da idade?) permite gostar ou não das coisas de uma maneira mais espontânea. Foi o caso: não conhecia o Alain de Botton, não li o livro, não tinha ouvido dizer a ninguém se era bom ou mau. Simpatizei com a realização, com o conteúdo - um misto de iniciação à Sociologia e tele-curso de auto-ajuda (o que escrito assim parece péssimo) - e ainda mais com as mensagens (/moral da história) de que é possível dar importância apenas ao que é mesmo importante e de que vale a pena lutar por ideais e viver de acordo com aquilo em que se acredita.

...na fotografia, frescos, tenros, biológicos, sápidos aneto e grelos de nabo.

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#502

21 de fevereiro, 2006

502
A irmã do cão ainda sem nome tem uma espécie de saia (ou avental) por cima das calças.

Ainda com pouco (tempo) para escrever (mas muito que coser), outros links, que vão ficando:

Thriftcraft: novo blog da Hillary (uma das principais referências na matéria crafty). A ver, também, o novo design do Wee Wonderfuls - numa altura em que os agregadores de feeds (é assim que se diz?) como o Bloglines estão a transformar a forma como se lê blogs - e as instruções gratuitas para fazer um Pointy Kitty.

The tatoo controversy (and part 3): ainda e sempre, as razões e os limites da propriedade intelectual.

pormenor

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#501

20 de fevereiro, 2006

macaco
macaco
O #501 também ficou para ela e também tem bebido muitos chás. O único macaco que tinha feito, há quase dois anos, voou para os Estados Unidos e não teve irmãos mais novos. Este estava rabiscado desde Outubro, impresso desde Novembro e foi agora finalmente cosido.

(Obrigada por todos os comentários sobre o #500!)

macacos

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#500

18 de fevereiro, 2006

500
Há dois anos ia na décima terceira boneca e vi um sinal não nas estrelas mas num capacho. Este boneco novo segundo a E. é um cão, mas eu não tenho a certeza. Tinha-o todo pensado há meses, assim esguio e capaz de dobrar as pernas e os braços para se poder sentar, tomar chá e ler um livro, mas a cara foi decidida mesmo no fim, com a ajuda dela. Será, espero, o primeiro de muitos.

500

Mais fotos: 1 - 2 - 3.

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#499

17 de fevereiro, 2006

499
A uma das quinhentas. São muitas.

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#498 e #495

16 de fevereiro, 2006

498 495

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dela

15 de fevereiro, 2006

pattern
060215_2.jpg
Continua virulenta, mas hoje desenhámos uma boneca nova cada uma, a dela com uma cabeça e uma orelha recortadas por mim e o resto por ela, sozinha, e a minha...

Ler e ver: Possibility e It's a disease.

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#494

14 de fevereiro, 2006

494

Toda a gente me diz que o primeiro ano de infantário é assim, cheio de vírus. Andamos a trazer para casa uma média de 1,5 / mês. São muitos, e às vezes causadores de também muitos graus centígrados. Nem quero pensar como era antes dos ben-u-rons. Bendita ciência.

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#493

13 de fevereiro, 2006

493

Links desarrumados:

Oilprodiesel: Ainda a propósito do célebre forward do óleo, um inquérito que recebi por email, promovido pela Oeinerge.

Eye|con: carteiras de fita-cola e variações das de tetrapak (que vi recentemente à venda como sendo design português - lol).

Toys to Knit: mais um livro com bom aspecto para aprender a fazer bonecos de tricot.

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seamos creadores

10 de fevereiro, 2006


seamos creadores, originally uploaded by pleyades.

A fotografia não é minha (é da minha prima Mariana Cortesão), a ideia não é minha e a frase não é minha, mas subscrevo inteiramente.

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#491

de linho

(para mim descomplicar é sempre o mais difícil)

Mason-Dixon Knitting: um livro com coisas lindas. Quase a sair.

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a arte da justaposição

09 de fevereiro, 2006

fátima vaz patchwork
Não sei o que diria a autora desta manta se soubesse que passei anos a dar-lhe cambalhotas em cima. Acho que não se aborrecia, sobretudo se soubesse como fico ainda e sempre deslumbrada a olhar para ela, mais ainda do que para o número dois no meu top, este quilt gigante (duas últimas fotografias). Nele é ainda mais subtil a só aparentemente acidental justaposição das cores e padrões. Combiná-los, conhecê-los ao ponto de brincar com eles, não é nada simples.

Fátima Vaz
Fátima Vaz

Manta e almofada em patchwork de Fátima Vaz (e Helena Lapas?)
c. 1975

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#490

08 de fevereiro, 2006

490

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click in

revista click-in
Despenteada e nada produzida, consigo reconhecer-me nesta página da revista Click-in. Com a melhor das intenções, o fotógrafo avisou que o flash ajudava a disfarçar as olheiras e os brilhos da pele mas, quando se cresceu a arrumar a maquilhagem e a decoração no departamento das futilidades, o caso está perdido: Base e bibelots ficaram para sempre de fora do dicionário. A entrevista, essa, foi óptima, graças à simpatia e perguntas inteligentes da jornalista Filipa Galvão.

IBSN (Internet Blog Serial Number): registei-me depois de ter sabido da iniciativa através do Ponto Média, o único weblog português com ISSN que conheço (quando fiz o pedido de atribuição negaram-mo - após vários telefonemas - alegando que as regras estavam a mudar). Para que conste (independentemente da utilidade da coisa), o IBSN d'A Ervilha Cor de Rosa é o IBSN 0-000-0001-22.

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#489

07 de fevereiro, 2006

489

e:

...em destaque no Mighty Goods.

Katamari Damacy: um jogo de computador que nunca vi e conheci via Flickr. Mesmo sem saber se é simpático ou antipático, o príncipe Katamari descansa no meu desktop.

Mesmo mesmo bonitos, feitos sem régua ou regras, The Quilts of Gees Bend.

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do fumo

05 de fevereiro, 2006

vazio
Gerada por dois irredutíveis adictos, creio que nasci nicotinómana. No entanto (ou talvez por isso mesmo) só maior e emancipada experimentei o fumo em primeira mão. Foi amor à segunda vista. Durante meses fumei um solitário cigarro ao fim da tarde, abandonando-me ao dito como a generalidade das pessoas fez pelos doze anos. O hábito durou então pouco tempo mas retomei-o num Verão em que duas amigas anglófonas se deliciavam com o comparativamente baratíssimo Português Suave com filtro. A partir dessa altura estabeleci com os (/esses) cigarros a relação afectiva que distingue os consumidores ocasionais dos fumadores. Fui fumadora quase cinco anos, desenhando e escrevendo de maço ao lado, apesar de nunca ter passado a suportar cinzeiros com beatas ou fumado a) de janelas fechadas b) perto de grávidas ou crianças. Em dois mil e dois, de teste de gravidez na mão soube que tinha deixado de fumar. Pensei que não tinha chegado a saborear o último cigarro e estranhei o vazio do que não fumei a seguir, mas a novidade que me preenchia mandava mais do que a síndrome de abstinência. Nove meses de gravidez e quinze de amamentação sem fumo, consciente de que, como qualquer toxicómano, mesmo não praticando continuava a ser fumadora (coisa que muito exagerada deve achar quem nunca experimentou uma dependência química). No último ano e meio relapsei intermitentemente, detestando sempre o cheiro que fica na roupa e no cabelo mas gozando cada passa. O problema é o mesmo: ...what they forget is the pleasure of it. Otherwise we wouldn't do it. After all, we're not fucking stupid (*). Tudo isto para escrever simplesmente que voltei a deixar, há poucos dias, desta vez sem a mesma boa desculpa mas com a que qualquer pessoa tem, a de que fumar é bom mas não fumar ainda é melhor. E, como em tudo, um dia de cada vez.

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#486

04 de fevereiro, 2006

486

— E., queres vir ajudar-me a tirar umas fotografias a uma lalá?
Mas são fotografias comigo ou sem migo?
— Contigo.
Ah, está bem.

(percorre o corredor a cantar:)

que linda falua que lá vem lá vem
é uma falua que vem de boleia

...

E vivam as manhãs de Sábado.

486
486

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a propriamente dita (chita)

03 de fevereiro, 2006

chita
Não é da que se fazia há mais de cem anos nem tem o estilo por razões desconhecidas dito de Alcobaça (de padrões como este, felizmente facsimilado e produzido actualmente), nem é a minha preferida, mas é chita propriamente dita, da de 70cm de largura e trama muito aberta, frágil, parola, linda. Quantos fins de rolo como este que esperou por mim haverá ainda? Quando for grande escrevo-lhes a história.

chita pormenor

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admirável mundo novo

02 de fevereiro, 2006

fotógrafo
Hoje percorri o bairro dos meus pais como não fazia há muito. É um bairro que não é bem um bairro, entalado que fica entre a Madragoa e outro (o Alto). Nos últimos anos transformou-se quase beyond recognition e acho que só hoje percebi quão poucas lojas são as mesmas de quando lá chegámos. Em 1984, a menos de cinco minutos de casa tínhamos uma chapelaria (agora vazia), um correeiro (tornado loja de molduras de revigrés reluzente no chão), onde ia aplicar molas e ilhoses nos empreendimentos crafty da época, um grande armazém de louças e plásticos (agora loja de quinquilharias sazonais), várias lojas de pronto-a-vestir (agora lojas chinesas e dos 300), ourivesarias, padarias, inúmeras mercearias (umas mais especializadas que outras), sapatarias, duas drogarias (a que não fechou é a única loja da zona cujo interior ainda não foi destruído), farmácias, o fotógrafo do bairro (grande resistente), carpintarias, retrosarias, um alfarrabista (outro que sobrevive), barbearias, papelarias, confeitarias, etc. Na altura só a Chapelaria Royal parecia condenada. Tento recordar cada uma das novas lojas por onde passei hoje (produtos naturais, decoração, bijuterias, agência de viagens, loja dos trezentos, loja chinesa, loja chinesa, loja dos trezentos) e das velhas também (loja de roupa de homem em liquidação total, loja de roupa a fechar, loja fechada, loja fechada, electricista empoeirado, tasca, papelaria fechada, loja de velharias feita agência imobiliária, quinquilharia, loja chinesa) e perceber como pode ser que a maior parte daquele novo comércio tradicional seja agora o do absolutamente inútil (brindes, quinquilharia, decoração, fonte a pilhas, flor de plástico, peluche piroso, pastilha elástica).

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#488

01 de fevereiro, 2006

488

Estou cansada do frio, este ano. Da ginástica electrodoméstica para evitar que o quadro venha abaixo, da bilha de gás no meio da sala, de vestir um casaco quando entro em casa. Ainda não me rendi às janelas de alumínio. São feias e mudam o cheiro e o estar aos quartos. Cá em casa há oito grandes janelas de madeira. Seis delas vêm até ao chão. Pelas frinchas e através dos vidros todas deixam passar muito mais vento gelado do que quem não viva numa casa antiga pode imaginar. Gosto delas. No Verão esqueço-me do frio e juro-lhes amor eterno mas chega Novembro e decido todos os anos que é desta que as vou vestir como elas foram feitas para serem vestidas, com visilhos e rolos tapa-ventos, cortinas em camadas e sanefas a rematar. Tanto que pouca luz sobra, tanto que abri-las e fechá-las se torna um ritual antigo como a casa e a roupa com botões e atilhos. Nem cortinas nem alumínio. Ainda não foi este ano.

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